Escolher substrato para vasos de interior

Usei terra de exterior durante anos e ao fim de dois meses estava compacta como um tijolo, com a água a escorrer pelas paredes do vaso.

Escolher substrato para vasos de interior
Um punhado de substrato apertado na mão, a desfazer-se, e o saco aberto na varanda ao lado do vaso.

Usei terra de exterior durante anos, a mesma que se espalha no jardim, porque era mais barata e vinha em sacos grandes. Ao fim de dois meses num vaso de sala, aquela terra estava compacta como um tijolo, com a água a escorrer pelas paredes do vaso sem molhar o meio. Foi preciso perder uma planta inteira para eu perceber que um vaso de interior não é um canteiro pequeno: é um sítio fechado, sem chuva, sem minhocas e sem raízes a abrir caminho. Desde então escolho o substrato com outra atenção, e essa escolha vale mais do que qualquer gesto de rega que eu faça depois.

O essencial

  • Procure um substrato próprio para vasos de interior; a terra de jardim compacta-se em poucos meses.
  • Ponha a terra na mão e aperte: se sair uma bola dura que não se desfaz, aquela terra não abre espaço à água.
  • Misture perlita a olho desde o saco, para a terra não voltar a fechar com as regas.
  • Encha o vaso sem apertar com os dedos e deixe a terra fofa até um dedo do rebordo.
  • No fim, regue e veja se a água atravessa em segundos; se ficar à superfície, a terra não serve.

A terra de exterior que usei durante anos

Quando comecei a ter plantas em casa, comprei um saco grande de terra de exterior, do que se usa no quintal e nas hortas, e usei-o em todos os vasos durante talvez três anos. Fazia sentido na minha cabeça: terra é terra, e o que serve lá fora servia dentro. Nos primeiros meses até correu bem, porque qualquer terra fresca deixa passar a água. O problema apareceu mais tarde, à medida que as regas foram assentando a terra e as partículas se juntaram todas.

Ao fim de dois meses de regas, aquela terra ficava compacta como um tijolo. Quando eu regava, a água não descia pelo meio: escorria toda junto às paredes do vaso e saía pelos furos em segundos, como se o centro nem existisse. Punha o dedo à superfície e estava húmida; punha a mão no fundo do vaso e o fundo era um bloco. Foi assim que perdi um espatifilo, que apodreceu por baixo enquanto a superfície parecia bem regada. A terra de exterior, com o tempo, fecha-se num vaso, e uma vez fechada não abre sozinha.

O que procuro num saco para interior

Hoje compro substrato próprio para vasos de interior, e no saco procuro sobretudo uma coisa: que a terra seja solta na mão e guarde espaço entre as partículas. Não sei avaliar a lista de ingredientes nem os números que às vezes vêm impressos, e não vou inventar que sei. Guio-me pelo que sinto e pelo que vejo. Abro o saco na varanda, meto a mão e aperto um punhado: se sair uma bola dura que não se desfaz quando a toco, ponho o saco de lado. Se a terra se desmancha e volta a cair sozinha, é boa para o que preciso.

Outra coisa que noto é o cheiro. Um substrato fresco cheira a terra húmida de floresta, e não a mofo nem a estábulo. Já trouxe para casa um saco que cheirava a fechado e azedo, e devolvi-o, porque aquele cheiro já me tinha dado problemas antes. A cor também me diz algo: prefiro as misturas escuras mas soltas, que não deixam pó a levantar. Nada disto é uma medida exata; é aquilo que uns anos de tentativas me ensinaram a notar num saco antes de o abrir em casa.

Como testo a terra antes de encher o vaso

Antes de envasar, faço sempre o mesmo teste, com um vaso velho e um copo de água. Encho o vaso com a terra, sem apertar, e deito um copo de água por cima, devagar. Se a água desaparecer da superfície em dois ou três segundos e começar a sair pelos furos, a terra está boa. Se ficar à superfície a fazer uma poça que não desce, ou se escorrer só pelas paredes e sair toda por baixo sem molhar o meio, ponho mais perlita e volto a testar num vaso novo.

Este teste vale mais do que qualquer coisa que eu leia no saco, porque é feito com a terra que eu tenho à frente. Também uso a mão para medir a humidade: meto o dedo até ao segundo nó, que são à volta de dois centímetros, e sinto. Se à superfície estiver seca e em baixo húmida, a terra está a guardar água a mais, e é sinal de que faltou ar na mistura. Passado este teste, o substrato fica na lista dos que volto a comprar; se falhar, não repito a compra, mesmo que tenha sido barato.

Comprar pronto ou misturar em casa

Uso as duas coisas, conforme o que tenho. Para a maior parte dos vasos, compro substrato próprio para interior e junto-lhe perlita do saco da varanda, uma mão-cheia por cada quatro de terra. Fica uma mistura que abre na mão e que não fecha com as regas. Para as suculentas, faço uma mistura mais aberta, com bastante perlita, porque a terra delas tem de secar depressa. Para as plantas que gostam de terra mais húmida, ponho menos perlita e aceito que o vaso fique mais pesado.

Não faço adubações nem junto cascas, borras de café ou casca de ovo à terra, porque não sei medir nada disso nem sei o que faz à planta ao longo dos meses. O que junto é perlita e, no fundo do vaso, uma camada fina de casca de pinheiro, que é outra conversa com regras próprias. O resto é a terra do saco e a mão que a testa. Este é o meu limite: prefiro uma mistura simples que eu saiba ler a uma receita complicada que eu não consiga repetir duas vezes.

Quando a terra não serve, e onde paro

Há alturas em que a terra que tinha em casa não serve, e o melhor é deitá-la fora. Se, ao tirar uma planta do vaso, encontrar o fundo compacto, com cheiro a mofo e raízes escuras, não aproveito aquela terra para outro vaso: vai para o lixo e o vaso lava-se bem antes de receber uma mistura nova. Também não guardo terra usada de plantas que adoeceram, porque não sei o que ela leva, e não tenho como tratar nada disso em casa.

Se o problema for uma praga, e eu vir na página de baixo das folhas uma teia fina, pontos agarrados ou uma película pegajosa, o substrato não é o que resolve. Nesse caso paro de mexer na terra e faço o que é físico: isolo a planta noutro quarto três semanas, passo as folhas por água corrente uma vez por semana, corto o que estiver muito atacado e deixo o ar circular. Não uso produtos, não sei dar concentrações nem garantias, e é aqui que paro. Se a planta continuar a piorar ao fim de um mês, pergunto a quem trabalha nisto todos os dias.

Erros que já cometi

  • Encher todos os vasos com terra de exterior e ficar com a terra compacta como um tijolo ao fim de dois meses, com a água a escorrer pelas paredes.
  • Confiar na aparência da superfície húmida e não perceber que o fundo do vaso era um bloco fechado até a planta apodrecer.
  • Comprar um saco grande por ser barato, sem abrir e apertar a terra na mão antes de o trazer para casa.
  • Reaproveitar a terra de um vaso com fundo escuro e com cheiro a mofo para outra planta.
  • Apertar a terra com os dedos ao envasar e fechar outra vez os espaços que a perlita tinha aberto.