Monstera-deliciosa

A monstera que começou a deitar folhas pequenas e inteiras quando a afastei do vidro, e que voltou a abrir os rasgos na primavera seguinte.

Monstera-deliciosa
A monstera encostada à janela virada a sul, com as folhas rasgadas a apanhar a luz da manhã.

A minha monstera vive na sala, ao lado da janela virada a sul, mas a uns bons trinta centímetros do vidro. Durante um inverno inteiro esteve encostada à parede oposta, porque me pareceu que ali ficava bem e o canto dava para o sofá. Foi nesse período que começou a deitar folhas pequenas, inteiras, sem um único rasgo: só folhas lisas, redondas, quase de outra planta. Na primavera seguinte encostei-a outra vez ao vidro e os cortes voltaram, folha a folha.

Distância ao vidroUns 30 a 40 cm da janela a sul quando está a crescer; se o sol de julho bater de frente, recuo para 60 cm
Temperatura em casaPassa o inverno a 12 a 14 °C de madrugada, junto às janelas; abaixo disso, os bordos das folhas notam
RegaSó quando o vaso está leve: em janeiro, uma vez a cada dez ou doze dias; em julho, a cada quatro ou cinco
Vaso e substratoVaso de plástico com furo, um número acima do anterior, com perlita misturada na terra

O canto claro que não era canto com luz

Durante muito tempo guiei-me pelo que os meus olhos diziam. Um canto com paredes claras, uma mesa de madeira clara, uma lâmpada acesa ao fim da tarde: tudo isso me parecia luz suficiente para uma planta grande. A monstera ficou lá quase um ano e respondeu à sua maneira. Deu folhas novas, sim, mas cada vez menores e sem cortes. Não morreu, e foi isso que me enganou, porque só foi ficando uma planta diferente da que eu tinha comprado.

A explicação apareceu quando comecei a contar as horas de sol que entram em casa. A janela virada a sul apanha sol direto a partir de meados da manhã no inverno e quase todo o dia no verão. A janela virada a norte, entre novembro e fevereiro, não recebe um único raio de sol direto: entra luz, mas é luz de céu, cinzenta, e as plantas que ali ficam notam a diferença em semanas. Não é que a norte seja escuridão. É que não é a mesma coisa, e contar as horas mostrou-me isso melhor do que qualquer aparelho.

Os rasgos das folhas e o que eles me dizem

Os recortes fundos que dão o nome à planta não aparecem só porque ela está feliz em sentido geral. Aparecem quando tem luz que chegue e já tem alguma idade. Uma folha nova de uma planta jovem é inteira, e isso é normal. O que me alertou foi ver folhas inteiras numa monstera que já tinha dado folhas rasgadas no ano anterior: para mim, aquilo foi um recuo, não um capricho da planta.

Aprendi a olhar para o tamanho das folhas novas e para o comprimento dos entrenós. Quando a planta estica o caule à procura de luz, os nós afastam-se e as folhas saem mais pequenas. Foi o que aconteceu à minha no inverno passado longe do vidro. Voltei a aproximá-la em março e, ao longo da primavera, os recortes reapareceram devagar, uma folha de cada vez. Quem espera ver rasgos na semana seguinte desiste antes de os ter.

Regar sem calendário

Reguei esta monstera por calendário durante muito tempo, ao domingo, junto com tudo o resto. Hoje levanto o vaso pelo fundo antes de decidir. Em janeiro, com a casa a 12 a 14 °C de madrugada, a terra demora muito mais a secar: o que em julho são quatro dias, em janeiro são dez ou doze. Não há dia fixo que aguente esta diferença, e foi a pensar nisso que abandonei o domingo.

Encho o regador na noite anterior, para a água sair à temperatura da casa. Reguei-a uma vez com água fria da torneira em pleno janeiro e notei nas folhas de baixo, que ficaram com manchas escuras nas pontas durante semanas. Uso água da rede, sem mais nada, mas deixo-a repousar de um dia para o outro. Quando rego, vou até ver a água a sair pelos furos do fundo. O que fica no prato, levanto vinte minutos depois e deito fora. Terra sempre húmida por baixo é o caminho mais curto para as raízes ficarem moles, e isso eu já sei pelo fícus.

Inverno, vidro frio e o que faço a mais

Em Coimbra o inverno é húmido e a minha casa não tem aquecimento a trabalhar de noite. Junto às janelas, o termo-higrómetro de 2020 marca 12 a 14 °C de madrugada; no corredor, quase 18 °C. A monstera, com folhas grandes e finas, é das que se ressentem. Deixo-a na sala, que é o compartimento mais estável, e afasto o vaso dois dedos do vidro em janeiro. O vidro da janela fica gelado por dentro e deixa marcas castanhas na folha que lhe toca, marcas que ficam meses.

Reduzo a rega quase a metade entre novembro e fevereiro e paro com tudo o que a faça crescer. Não adubo, não mudo de vaso, não corto. É uma planta a descansar e mexer nela nesta altura só a acorda para o frio. Em março, quando a luz volta a subir, retomo a rotina de sempre. No ano em que não respeitei este parar, perdi duas folhas novas que tinham começado a abrir em pleno janeiro e ficaram paradas, negras nas pontas.

Bichos, e onde eu paro

Uma vez notei uns pontos brancos agarrados à página de baixo das folhas, junto às nervuras. Não vou fingir que sei o nome certo de tudo. O que faço é pouco e é físico: separo a planta das outras durante três semanas, passo as folhas por água corrente, por cima e por baixo, com os dedos a percorrer cada página, uma vez por semana; corto as folhas mais atacadas; e ponho o vaso num sítio com ar a circular, sem o encostar a uma parede. Também afasto os vasos uns dos outros, porque amontoados é onde as coisas passam de um para o outro.

Não uso produtos, não sei dar concentrações nem garantias, e é aqui que paro. Se ao fim de um mês a planta continuar a piorar, o que faço é pedir ajuda a quem trabalha nisto todos os dias, em vez de improvisar. Entretanto lavo as mãos depois de a mexer e mantenho-a longe das outras. Não vale a pena arriscar uma planta grande por causa de uma pressa minha.

O que eu faço, por ordem

  1. Antes de escolher o sítio, conte as horas de sol direto que a janela apanha num dia de inverno e num de verão.
  2. Ponha o vaso a 30 ou 40 cm do vidro e recue mais se o sol de julho lhe bater de frente.
  3. Levante o vaso pelo fundo antes de regar; só regue quando pesar leve.
  4. Deixe o regador cheio de um dia para o outro e regue até a água sair pelos furos.
  5. Vinte minutos depois, esvazie o prato e deite fora a água que ficou.
  6. Limpe o pó das folhas com um pano húmido e, ao mesmo tempo, rode o vaso um quarto de volta.
  7. Em janeiro, afaste o vaso dois dedos do vidro e corte a rega para metade.
  8. Se vir bichos, isole a planta três semanas, lave as folhas por água corrente e melhore a ventilação.