Passar a estaca da água para o substrato
Espero pelos dois centímetros de raiz e uso vaso pequeno: a raiz nascida em água custa a adaptar-se e as primeiras semanas são as críticas.

Só passo a estaca ao substrato quando a raiz maior tem dois centímetros, medidos ao lado do frasco com o dedo. E passo-a para um vaso pequeno, do tamanho de uma mão fechada, não para o vaso bonito que já está à espera na sala. A raiz que nasceu dentro de água custa a adaptar-se à terra: não tem pêlos, não sabe procurar e não aguenta a terra a secar entre regas. As duas ou três semanas seguintes são as mais críticas de toda a operação.
O essencial
- Esperar pelos dois centímetros de raiz, e não por uma pontinha branca: a estaca que vai cedo para a terra murcha em dias.
- Vaso pequeno, com furo no fundo, e substrato leve: o vaso grande guarda água onde a raiz pequena não chega.
- Substrato húmido, não encharcado: aperto-o na mão antes de plantar e não volto a regar no primeiro dia.
- Duas ou três semanas em luz clara mas sem sol directo, e sem mexer na estaca para ver se pegou.
- A partir da segunda semana rego pelo peso do vaso, e espero pela folha nova antes de fazer seja o que for.
O momento de mudar
O momento de mudar é o que mais me atrapalhou no princípio. Uma pontinha branca de meio centímetro entusiasma e não chega: é uma raiz fraca, feita para viver em água, e na terra não tem pêlos, não sabe agarrar-se e não aguenta a terra a secar entre regas. Espero até a raiz maior ter dois centímetros, mais ou menos do tamanho do meu dedo indicador até à primeira dobra, e quero ver duas ou três raízes, e não só uma.
Se a estaca tem raízes de comprimentos muito diferentes, mudo na mesma. Se tem só uma raiz e já passaram três semanas, também mudo, porque água a mais também apodrece: raízes compridas e finas, que se enroscam no fundo do frasco, já estão frágeis e partem-se quando as ponho na terra. Nesse caso corto a ponta da raiz mais comprida com a tesoura, deixo o resto e planto. Não é coisa que me dê prazer fazer, mas aprendi que uma raiz cortada de propósito se comporta melhor do que uma raiz que se dobra toda dentro do buraco.
O vaso pequeno e o substrato
O vaso é pequeno. Não é o vaso que fica bonito na prateleira da sala; é um vaso de plástico de dez centímetros, com furo no fundo, do tipo que se compra em qualquer loja de coisas para a casa. Já fiz o contrário, com o entusiasmo de dar espaço: pus uma estaca de pothos num vaso largo, a terra ficou três semanas sem secar e o que consegui foi caule mole em vez de raízes. A raiz nascida em água é curta; se o vaso tiver terra a mais à volta, a água fica onde ela não chega, e o que ela encontra ao fim de duas semanas é um bloco húmido.
O substrato que uso é o de interior, com perlita misturada a olho, uma mão-cheia por cada quatro de terra. A perlita deixa passar o ar, e num vaso pequeno isso conta, porque a camada de terra é fina e seca depressa de qualquer maneira. Tenho o saco aberto na varanda e é de lá que vou tirando. Antes de plantar, molho o substrato numa tigela e aperto-o na mão: quero que fique húmido e solto, e que não saia água entre os dedos. Depois faço um buraco com o dedo, encosto a estaca pela raiz e encho à volta sem apertar com força.
As duas semanas em que nada se vê
Depois de plantar, a estaca fica em luz clara, sem sol directo, e eu não a mexo durante duas semanas. É mais difícil do que parece. Apetece levantar a estaca para ver se pegou, apetece regar todos os dias porque a terra me parece seca à superfície, apetece pôr a planta na janela para crescer mais depressa. Nada disso ajuda. Na fase em que a raiz está a aprender a viver em terra, o que interessa é que ninguém mexa no que está a acontecer por baixo.
Em Janeiro e Fevereiro, com a casa a 12 ou 14 °C de madrugada e o termo-higrómetro de 2020 a confirmar isso, esta fase arrasta-se. Uma estaca que em Maio me dá uma folha nova ao décimo dia passa o Inverno quase parada, e a tentação de regar aumenta. Não rego por calendário; levanto o vaso pequeno, que é leve, e só volto a regar quando ele me parece quase vazio. Uso o mesmo gesto que uso em tudo o resto, só que com menos força, por causa do tamanho pequeno. A segunda semana é que decide: ou a estaca aguenta, ou murcha e fica claro que não pegou.
Os sinais de que pegou, e os outros
Os sinais de que pegou são poucos e chegam tarde. O primeiro é a folha que estava na estaca manter-se firme e ligeiramente virada para a luz, em vez de ficar mole ao fim do dia. O segundo é o caule no sítio onde entra na terra: se estiver firme quando lhe dou um toque leve com o dedo, há raiz a agarrar. O terceiro, e o mais claro, é uma folha nova a abrir ao fim de três ou quatro semanas, pequena, às vezes torta, mas nova e verde.
Os sinais de que não pegou também são claros e chegam depressa. A folha fica mole e escura, o caule no sítio da terra fica translúcido e cede, e a terra à volta tem um cheiro a parado. Nesse caso tiro a estaca, vejo se há alguma raiz firme e se o caule está verde; se a parte de baixo estiver mole, corto-a e tento outra vez num vaso ainda mais pequeno e num substrato mais leve. Se não tiver comprimento para cortar sem perder os nós, deito fora e não insisto.
Onde paro
Não uso nada para ajudar a pegar: não passo produto nenhum na raiz, não ponho nada na água e não sei doses de coisa alguma. Substrato de interior, perlita, vaso pequeno com furo, água e paciência. Se a estaca ficar mole depois de plantada, corto e replanto uma vez; se ficar mole à segunda, deito fora. Não ando a tentar salvar caule apodrecido com esperança, porque nunca me correu bem.
Também não faço isto com estacas que não são para isto. Já tentei pegar uma estaca de monstera no Inverno, sem calor nenhum em casa, e passou um mês em água sem dar nada; hoje espero por Maio ou Junho, ou não faço. E não ponho uma estaca nova encostada às outras sem pensar nisso: as raízes pequenas apodrecem depressa, e uma planta doente ao lado é a última coisa que quero num vaso que acabou de pegar. Se, depois de tudo isto, a estaca continuar a murchar apesar da terra húmida, ou se o pé do caule estiver preto e mole, é aqui que paro e procuro quem trabalha nisto todos os dias.
Erros que já cometi
- Passar a estaca ao substrato com uma pontinha branca de meio centímetro e ver a folha murchar em três dias.
- Escolher o vaso pelo tamanho do que a planta ia crescer e não pelo tamanho da raiz, e ficar com a terra três semanas sem secar.
- Regar no primeiro dia, por pena, sobre um substrato que já estava húmido, e apodrecer a raiz nova.
- Levantar a estaca da terra todos os dias para ver se pegou, e partir a raiz que se estava a agarrar.
- Deixar as raízes compridas e enroscadas no frasco, que se dobram todas dentro do buraco e se partem no fundo.
- Tentar pegar uma estaca de monstera em Janeiro, numa casa sem aquecimento, e esperar um mês por nada.