Pothos-da-cozinha

O pothos de onde tirei as primeiras estacas, ainda hoje a planta que ofereço a quem me diz que consegue matar tudo o que tem.

Pothos-da-cozinha
Copos com estacas de pothos na bancada da cozinha, com as primeiras raízes nos nós.

O pothos foi a primeira planta que consegui multiplicar e continua a ser a que ofereço a quem me diz que mata tudo o que tem em casa. Comecei com uma estaca de dois nós, dentro de um copo, na bancada da cozinha, sem saber nada. Enraizou em três semanas e desde aí nunca parei. Hoje tenho a planta-mãe em cima do frigorífico, com um metro e meio de ramos a cair, e copos espalhados pela casa sempre que me apetece cortar mais.

Comprimento da estacaDe 10 a 15 cm, com dois ou três nós; um nó só enraíza, mas fica uma planta fraca
Água de enraizarTrocada a cada três ou quatro dias, sem cloro, em água que repousou de um dia para o outro
Tempo até à raizDuas a quatro semanas, mais depressa de maio a setembro do que no inverno
Terra depoisSubstrato com perlita, em vaso de 10 cm; rego a primeira vez e deixo escorrer

A planta que me ensinou a cortar

Antes do pothos, nunca tinha cortado uma planta. Tinha medo de estragar a que já estava bem e de perder a estaca sem ficar com nada. O que me tranquilizou foi perceber uma coisa simples: no pothos, cada nó, se ficar debaixo de água, forma raiz. Não preciso de acertar com nada, só preciso de cortar no sítio certo e de não deixar a água estragar-se. A primeira estaca que cortei enraizou e a planta-mãe não morreu, e isso foi o suficiente para eu perder o medo.

Hoje corto sempre que os ramos passam do comprimento que quero. Não espero por uma altura certa do ano, mesmo sabendo que enraíza mais depressa na primavera e no verão, com a luz e o calor. No inverno, em Coimbra, com a casa fresca e a luz fraca de janeiro, já me levou seis semanas a formar raiz visível. Enquanto a estaca estiver verde e firme, deixo-a ficar, porque não há pressa nenhuma.

Como corto as estacas

Escolho um ramo com folhas saudáveis e conto os nós. Os nós são as pequenas linhas ou inchaços no talo, de onde saem as folhas e as raízes do ar. Corto dois dedos abaixo do segundo nó, com uma tesoura de cozinha velha que guardo só para as plantas, e limpo a lâmina com água antes de usar noutra planta. Tiro as folhas mais próximas da base da estaca, porque folha dentro de água apodrece. Deixo duas ou três folhas no topo, que é o que a estaca vai usar para trabalhar.

Nunca corto um talo demasiado tenro, muito verde por dentro. Se a base estiver mole, vai apodrecer na água antes de enraizar. Prefiro talos com a casca já firme e com mais de três milímetros de espessura. Se estou a cortar vários, ponho cada estaca num copo, com uma etiqueta de papel colada no copo com data, porque ao fim de duas semanas já não sei qual é qual. Parece exagero, mas foi assim que comecei a perceber que umas enraízam mais depressa do que outras.

Água, luz e o tempo que leva

Ponho água a repousar de um dia para o outro num copo, em cima da bancada, para o cloro sair, e é essa água que uso nas estacas. Deixo os nós mergulhados e as folhas fora, porque folha dentro de água estraga o copo em dois dias. Troco a água a cada três ou quatro dias, mais no verão. Se me esquecer e a água ficar turva, lavo as estacas com os dedos, passo-as para um copo lavado e não me preocupo demasiado, desde que o talo continue firme.

Quanto à luz, o erro é pensar que quanto mais luz melhor. Um copo com estacas em cima de uma bancada, a dois metros de uma janela, é o que me dá melhores resultados. Ao lado direto do vidro, no verão, a água aquece e as folhas ficam pálidas. No escuro, a estaca fica meses sem fazer raízes. Durante estas semanas não uso nada na água, nem terra, nem nada. A primeira raiz aparece como umas pontazinhas brancas no nó, e depois cresce para baixo. Só quando as raízes têm dois ou três centímetros fica pronta para a terra.

Da água para a terra, sem pressa

Passar da água para a terra é o passo em que já perdi estacas a mais. Enquanto estão na água, as raízes novas são moles e finas, e não estão habituadas a nenhuma variação. Se as meto em terra seca e as esqueço numa janela ao sol, murcham no mesmo dia. O que faço agora é preparar o vaso primeiro. Uso um vaso pequeno, de 10 cm, com furos, terra nova com uma mão-cheia de perlita, e molho a terra antes de pôr a estaca. Encho, faço um buraco com um lápis, ponho a estaca com os nós enterrados e aperto só o suficiente para ficar de pé.

Depois rego uma vez, deixe escorrer na varanda e ponho o vaso num lugar com luz de céu, sem sol direto, durante uma semana. É a semana crítica. A terra tem de ficar húmida, mas não encharcada, e é aqui que o prato faz toda a diferença: esvazio-o sempre. Ao fim de sete a dez dias, se as folhas estiverem firmes, sei que pegou. Se as folhas caírem e o talo ficar mole, tiro a estaca e vejo se ainda tem raiz. Umas vezes tem e volta à água, outras perdi-a, e acontece.

Oferecer plantas: o que faço e o que digo

Desde que percebi que enraíza bem, passei a dar pothos aos outros. Ofereço os que já estão em terra, com pelo menos um mês no vaso, porque dar uma estaca com raízes na água só funciona para quem já tem prática. Antes de entregar, digo as duas ou três coisas que importam: vive bem longe do vidro, não gosta de terra encharcada e aguenta um descuido. É a planta perfeita para quem acha que mata tudo, precisamente porque perdoa mais do que as outras que tenho.

A planta-mãe ficou enorme. Ao fim de dois anos, os ramos arrastavam pelo móvel e eu cortava-os só para não atrapalharem. Hoje mantenho-a com um metro e meio, corto duas ou três vezes por ano e vou dando estacas a quem me pede. Já enchi um copo atrás do outro na mesma semana e continuo a achar graça a ver as primeiras raízes a sair do nó. É a coisa mais fácil que faço com plantas, e foi por isso que comecei por aqui.

O que eu faço, por ordem

  1. Escolha um ramo com folhas firmes e conte os nós; corte dois dedos abaixo do segundo nó.
  2. Tire as folhas junto à base para não ficarem dentro de água.
  3. Ponha a estaca num copo com água em repouso, com os nós mergulhados e as folhas fora.
  4. Troque a água a cada três ou quatro dias e mantenha o copo à luz de céu, sem sol direto.
  5. Espere duas a quatro semanas até as raízes terem dois ou três centímetros.
  6. Prepare um vaso de 10 cm com terra e perlita e molhe a terra antes de plantar.
  7. Regue uma vez, deixe escorrer na varanda e esvazie o prato.
  8. Mantenha o vaso sem sol direto durante uma semana e só depois junte aos outros.