Afastar as plantas do vidro frio

Em janeiro o vidro da janela a norte fica gelado por dentro. Afasto os vasos dois dedos e ganhei folhas sem bordos castanhos.

Afastar as plantas do vidro frio
Os vasos afastados dois dedos do vidro, com a marca a lápis no parapeito a lembrar onde fica o limite.

Em Janeiro, quando me levanto, o vidro da janela virada a norte está gelado por dentro. Passo o dedo e fica uma marca na humidade. Os vasos que estão ali encostados passam a noite a tocar nesse vidro, e as folhas que lhe tocam ficam com os bordos castanhos. Afastei-os dois dedos da janela, deixei de ter plantas encostadas ao vidro, e as folhas novas daquele Inverno abriram inteiras. Desde então não volto a encostar um vaso ao vidro entre Novembro e Fevereiro.

O essencial

  • Dois dedos de distância entre a folha e o vidro: é o que chega para deixar de ter bordos castanhos em Janeiro.
  • O vidro a norte fica gelado por dentro de madrugada, e a folha que lhe toca perde água para o vidro e não para o ar.
  • Afasto sobretudo as folhas grandes e moles, que são as primeiras a ficar marcadas com a noite fria.
  • Rodar o vaso continua a fazer sentido, mas no Inverno não o encosto ao vidro para lhe dar luz: ganha queimadura e não ganha sol.
  • Se a folha já tiver o bordo castanho, corto o que está seco e não rego mais; o bordo não volta a ficar verde.

O vidro gelado por dentro

Levanto-me cedo durante a semana, por causa do trabalho na escola, e nos dias de Janeiro, antes de acender a luz da cozinha, passo pela sala e ponho a mão no vidro da janela virada a norte. Está gelado por dentro. Não é geada, é aquele plano frio e húmido que aparece nas manhãs em que a casa esteve a arrefecer toda a noite. Nas manhãs em que o termo-higrómetro de 2020 marca 12 °C na sala, o vidro daquele lado está claramente mais frio do que o resto do quarto: é a única superfície da casa que me dá frio na mão.

Uma folha encostada a esse vidro passa a noite a tocar numa superfície muito fria. A folha perde água para ali, do lado que toca, e não para o ar do quarto. De manhã, o que se vê é uma faixa escura ou um bordo castanho no sítio exacto onde a folha estava encostada, e nada do outro lado. Descobri isto ao comparar duas folhas da mesma monstera: a que dava para o vidro tinha o bordo queimado, a que dava para o quarto estava inteira e verde.

Dois dedos, e o que isso muda

O que faço é simples e não tem nada de técnico: afasto os vasos dois dedos do vidro, medidos com a mão, e viro-os um pouco para dentro. Dois dedos, dois ou três centímetros, mais ou menos. Não preciso de mais do que isto. Com esta distância, a folha deixa de tocar no vidro nas noites mais frias, e o ar entre a planta e a janela fica parado, o que já a protege. Não ponho nada entre a planta e o vidro, nem cortinas nem papel: só espaço.

Nas plantas de folha grande, como a monstera da sala, dois dedos podem não chegar, porque a folha cresce para fora e volta a encostar. Nessa tenho uma marca feita a lápis no parapeito e ponho o vaso dois centímetros atrás dessa marca. No Inverno passado deixei lá o vaso e as folhas novas abriram sem bordo castanho; no anterior, com o vaso encostado, tinha três folhas marcadas do lado da janela. Não é uma diferença enorme, mas é uma diferença que se vê a olho.

O bordo castanho que já está feito

Se a folha já está com o bordo castanho, o mal está feito e não há rega que o compense. O bordo castanho é tecido morto: não volta a ficar verde, e não vale a pena andar a mudar a planta de sítio à espera de milagre. O que faço é esperar mais uns dias, até o bordo ficar seco e quebradiço, e depois cortar com a tesoura seguindo a forma da folha, deixando um milímetro de castanho para não ferir o tecido verde. Cortar cedo, com o bordo ainda mole, deixa uma ferida aberta que fica feia mais tempo.

Nas folhas muito marcadas, com metade da folha queimada, o que faço é tirar a folha inteira, pelo ponto onde pega ao caule. A planta fica mais despida, mas não anda a gastar em tecido que não serve para nada. Depois disso não rego mais só por causa da folha: a folha queimada pelo vidro não quer dizer que a planta tem sede, e foi assim que já afoguei uma planta ao tentar compensar com água uma folha que o frio tinha marcado.

As outras coisas frias da casa

O vidro não é a única coisa fria que dá trabalho. Nesta casa há mais três sítios que fazem o mesmo: o chão da cozinha, junto à porta de saída, onde entra corrente de ar; a parede exterior da sala, que fica fria do lado de dentro; e a prateleira ao lado do frigorífico, onde a tradescância vive bem mas onde uma planta de folha mole não aguenta o ar frio que desce. Tenho os vasos afastados de todos esses sítios entre Novembro e Março, e volto a aproximá-los em Abril, quando a casa aquece sozinha.

Também afasto as plantas do radiador, quando está ligado. Aqui em Coimbra o aquecimento trabalha sobretudo à noite, e o ar que sai é seco: uma folha que fica a meio metro do radiador perde água pelos bordos e fica com as pontas castanhas sem nunca ter tocado em vidro nenhum. É outra marca parecida, com outra causa. Descobri isto no primeiro Inverno em que liguei o radiador todas as noites, e desde então as plantas daquela parede passaram para a mesa do canto.

Onde paro

Não faço nada para aquecer as plantas: não ponho luz de apoio, não ponho tapetes térmicos e não embrulho vasos. Afasto do vidro dois dedos, afasto do radiador e do chão frio, e rego menos. É o que sei fazer, e o resto fica por minha conta e risco. Não tenho estufa, não tenho uma divisão com temperatura controlada, e em Janeiro a minha casa está à temperatura da rua com alguns graus a mais.

Há folhas que se perdem, e isso aceito. Uma planta que passa um Inverno com duas ou três folhas marcadas não é um fracasso; é uma planta a viver numa casa fria, como quem cá vive. Se, depois de afastar a planta do vidro, a folha continuar a ficar castanha pela ponta toda, ou se as folhas novas abrirem já com bordos secos e o caule estiver mole, então não é do frio do vidro: é aqui que paro e procuro quem trabalha nisto todos os dias, em vez de andar a mudar a planta de sítio às cegas durante semanas.

Erros que já cometi

  • Deixar a monstera encostada ao vidro da janela virada a norte um Inverno inteiro e ficar com três folhas marcadas do lado da janela.
  • Afastar o vaso do vidro e continuar a regar como antes, a tentar compensar com água as folhas que o frio queimou.
  • Cortar o bordo castanho ainda mole, cedo de mais, e deixar uma ferida aberta na folha durante semanas.
  • Pôr uma planta de folha mole na prateleira ao lado do frigorífico, no Inverno, por ser um canto claro, e vê-la perder as folhas de baixo.
  • Deixar um vaso à frente do radiador ligado toda a noite e ficar com as pontas castanhas sem perceber de onde vinham.
  • Mudar a planta de sítio três vezes numa semana à procura da causa, quando a causa era o vidro a dois palmos de distância.