Casca de pinheiro
A camada fina de casca que uso no fundo do vaso, e a vez em que exagerei na espessura e a terra passou a secar depressa de mais.

Uso casca de pinheiro no fundo dos vasos, numa camada fina. Não é um dreno de pedras, desses já percebi que não servem para nada: é uma camada de dois dedos por baixo da terra, que ajuda a água a sair e evita que a terra escape pelo furo. Aprendi a usá-la exatamente por ter exagerado. Numa das vezes pus uma camada grossa, de quase cinco centímetros, e a partir daí a terra daquele vaso passou a secar depressa de mais, com a planta a ficar sempre com a rega adiantada.
Casca no fundo, e o que ela não é
Convém dizer o que a casca no fundo não é: não é aquele dreno de pedras que muita gente põe, e que eu também pus durante anos, convencida de que a água ficava lá em baixo e a planta em cima, seca. O que uma camada de pedras grossas faz é subir o nível da água dentro do vaso. A água para à altura do dreno e a parte de cima da terra não seca como devia, porque o que fica entre as pedras é um pequeno reservatório. Deixei de fazer isso quando percebi que os fundos dos meus vasos estavam sempre húmidos.
A casca é diferente. É leve, deixa passar água e ar, e o que faz é manter a terra no sítio. Uso-a em pedaços, não em pó. Não a ponho com a ideia de drenar, ponho-a com a ideia de que o fundo do vaso não seja uma papa de terra a tapar o furo. A drenagem a sério vem da mistura que está lá dentro, da perlita e da terra que escolho, e nisso a casca é só uma ajuda.
A vez em que pus camada a mais
Foi num inverno, num vaso médio, com uma dracena que estava a mudar de casa. Como tinha casca de sobra, resolvi encher quase cinco centímetros no fundo e ainda achei que estava a fazer um bom trabalho. O que aconteceu nas semanas seguintes foi o contrário do que eu esperava. A terra daquele vaso passou a secar depressa de mais, mesmo em janeiro, com a casa a 12 a 14 °C de madrugada. Regava e, ao fim de três dias, a terra estava seca até meio.
Percebi depois que a camada grossa de casca funcionava como uma caixa de ar no fundo: a água atravessava e saía, mas a terra por cima perdia a humidade por baixo mais depressa do que a planta conseguia beber. A dracena ficou com as pontas das folhas a estalar durante um mês. Desfiz a camada, deixei dois dedos e a rega estabilizou. Foi um exagero de amadora, e é por isso que hoje escrevo a espessura em vez de dizer apenas para pôr casca no fundo.
Como ponho a camada e como envaso
Ponho dois dedos de casca no fundo, cerca de 2 a 3 cm, e espalho-a sem apertar, de forma a cobrir o furo sem o tapar. Depois deito o substrato, já misturado com perlita, até meio, seguro a planta com a mão e encho à volta dela até ao nível de antes. Bato o vaso no chão umas três ou quatro vezes para a terra assentar e volto a encher se baixar. Não aperto a terra com os dedos, porque apertar desfaz o trabalho da perlita e da casca ao mesmo tempo.
Antes de regar, espero dois ou três dias, para dar tempo a que qualquer raiz magoada na mudança cicatrize. Depois rego até a água sair e esvazio o prato vinte minutos depois. Se a água sair com terra agarrada, é sinal de que a casca deixou espaços de mais e a terra passa por entre ela. Nesse caso, ponho uma camada mais justa na próxima vez e tenho mais cuidado a assentar o substrato antes da primeira rega.
Em que vasos faz diferença
Faz diferença sobretudo em vasos largos e com furo pequeno, onde a terra tem tendência a tapar a saída e a água fica em cima sem escoar. Nos vasos estreitos e altos, de 12 a 15 cm, uma camada de dois dedos já é quase metade do vaso. Nesses fico por uma casca bem fina, só para não deixar a terra escapar pelo furo. Numa planta pequena quase nem vale a pena, e às vezes não ponho nada.
Uso também casca em vasos onde a planta tem raízes superficiais, para que a terra por cima não assente tanto com as regas. Onde não uso é em vasos que vão para dentro de um cachepot sem furo. Se o vaso de dentro não tem furo, nada disto resolve: a água fica retida e a casca no fundo acaba ela própria encharcada. Em vasos redondos de terracota com furo largo a casca serve pouco, porque o barro por si já seca depressa de mais, e nesses prefiro perlita na mistura.
Guardar, apanhar e onde eu paro
Guardo a casca num saco na varanda, ao abrigo da chuva, e só a uso quando está bem seca. Casca acabada de apanhar, ainda húmida, não entra em vaso nenhum: ao fim de dias num saco fechado cheira a mofo e estraga o substrato. Se apanho casca debaixo de um pinheiro, deixo-a a secar ao ar dois ou três dias antes de a guardar. Não a lavo com nada, sacudo-a e fica pronta a usar.
Se aparecerem bichos na terra, e já aconteceu em casca guardada húmida, faço o de sempre: separo o vaso, lavo a casca por água corrente, deixo-a secar bem ao ar e ponho o vaso num sítio com ventilação, longe das outras plantas. Não uso produtos, não sei dar concentrações, e é aqui que paro. Se a infestação voltar, deito a casca fora e recomeço com substrato novo, em vez de andar a tratá-la sem saber o que estou a fazer.
O que eu faço, por ordem
- Veja se a casca está bem seca antes de usar; se cheirar a mofo ou estiver húmida, deixe-a ao ar uns dias.
- Ponha dois dedos de casca no fundo, em pedaços, a cobrir o furo sem o tapar.
- Misture o substrato com perlita antes de o deitar no vaso.
- Encha até meio, segure a planta e acabe de encher à volta dela.
- Bata o vaso no chão umas vezes para assentar, sem apertar a terra com os dedos.
- Espere dois ou três dias antes da primeira rega, para as raízes cicatrizarem.
- Regue até a água sair e esvazie o prato vinte minutos depois.
- Se a água sair com terra, corrija a camada na próxima vez; com bichos, lave a casca e isole o vaso.