Vaso de plástico
O vaso de plástico que guarda humidade uma semana inteira e por isso ficou encarregue das plantas que vivem na janela virada a norte.

Quase todos os vasos que tenho em casa são de plástico. Comecei por eles por uma razão sem graça nenhuma: são baratos e existiam em todos os tamanhos quando eu precisava de mudar uma planta de vaso. Só mais tarde percebi o que isso significava na prática. A terra aqui fica húmida durante uma semana inteira, mesmo em julho, e por isso estes vasos acabaram encarregues das plantas que vivem na janela virada a norte, onde quase não há sol de novembro a fevereiro e a água tem de durar.
Porque é que a terra aqui demora a secar
O plástico é fechado. Não tem poros, não deixa passar vapor pela parede e a única saída para a água é a boca do vaso e os furos do fundo. Numa casa como a minha, com uma temperatura entre os 12 e os 16 °C no inverno, isto quer dizer que a terra fica húmida durante muito tempo. Em julho, um vaso de 18 cm de plástico na janela a sul seca em cinco ou seis dias. Em novembro, o mesmo vaso na janela a norte pode levar dez dias ou duas semanas a secar.
Isto tem duas faces. Para mim foi primeiro um problema: regava ao domingo, como fazia com o barro, e as plantas da janela a norte ficaram com a terra encharcada durante semanas. Depois percebi que podia usar isso a meu favor. Se há vasos que secam depressa demais, também há plantas que não gostam de ver a terra a ficar leve a cada três dias. Para essas, o plástico é o que preciso.
A janela virada a norte ficou entregue a estes vasos
Na janela virada a norte tenho o espatifilo, a zamioculca e uma tradescância que resiste a tudo. De novembro a fevereiro esta janela praticamente não recebe sol direto: entra luz, mas é luz de céu, cinzenta, e a planta bebe pouco. Como a casa também não tem aquecimento durante a noite, o ar está fresco e a água evapora devagar. Se estas plantas estivessem em barro, teria de regar de três em três dias no inverno e não teria mão para isso. Em plástico, rego de dez em dez dias e ainda sobra.
É por isso que os vasos de plástico ficaram encarregues deste lado da casa. Não foi uma escolha bonita, foi prática. Comprei-os todos iguais, de 16 e 18 cm, para poder trocar os pratos e medir o peso da mesma maneira. Ter tudo igual poupa-me tempo e evita erros de comparação, que é o que mais me atrapalha quando tento perceber se uma planta está a beber ou não.
Os furos e o prato: o que verifico sempre
A primeira coisa que faço quando trago um vaso novo para casa é virá-lo ao contrário e contar os furos. Muitos trazem um só, no centro, ou três pequenos, e isso faz diferença. Um furo central deixa escorrer bem no início e depois entope com terra e raízes. Nos vasos que uso, alargo os furos existentes com a ponta de uma tesoura de cozinha velha, se o plástico for mole, ou faço mais dois ou três com um prego aquecido, com muito cuidado e numa bancada, nunca com o vaso na mão.
Depois vem o prato. Em plástico, a água que sai fica lá em baixo e se eu não a tirar, a terra do fundo absorve-a outra vez. Isto é o que me apodreceu mais plantas ao longo dos anos, mais do que qualquer doença. Vinte minutos depois de regar, esvazio o prato, sempre, mesmo no inverno. Se o prato estiver sempre cheio, o vaso está a viver num pântano e não há plástico que aguente isso.
Peso, sinais e o que o plástico me esconde
O plástico tem um senão: como não mostra nada na parede, não dá sinal nenhum. No barro, a película branca avisa-me que os sais estão a subir. Aqui, o único sinal é o peso e o dedo. Levanto o vaso com as duas mãos e comparo com a memória do mesmo vaso acabado de regar. Cheio e húmido, um vaso de 18 cm passa dos 2,5 kg; quando pede água, está perto de 1,5 kg. A diferença é grande e sente-se bem, desde que o vaso tenha tamanho que eu consiga levantar.
Também olho para a superfície com desconfiança. Ao fim de meses, aparecem por cima da terra umas manchas esverdeadas, tipo musgo raso, e por baixo, junto aos furos, por vezes uma camada esbranquiçada. As esverdeadas querem dizer que aquela superfície está húmida há demasiado tempo. O que faço é largar a rega, tirar a camada superior de terra com uma colher e deixar o vaso arejar. Não passo a regar mais, que é o erro em que já caí: a superfície verde não é sede, é o contrário.
Limpeza, risco de gelo e quando mudo de vaso
Lavo os vasos de plástico duas vezes por ano, com água morna e um pano, antes de os voltar a usar. Não gosto de os guardar com terra velha lá dentro. Ponho-os a secar de boca para baixo na varanda durante dois ou três dias e empilho-os depois, sem os forçar, porque o plástico frio lasca nas bordas quando é apertado. Um dos meus vasos partiu-se justamente assim, num inverno frio, quando o empilhei à pressa.
Não compro vasos novos por decoração. Quando preciso de subir uma planta de tamanho, subo uma medida e uso o vaso liberto para a planta seguinte. Foi assim que cheguei a ter duas fileiras iguais, uma em cada janela. Se a terra começar a ficar dura e a água escorrer pelas paredes sem molhar o centro, não é sinal de mudar de vaso: é sinal de mexer na terra e juntar perlita. Mudo de vaso quando vejo as raízes a sair pelos furos, e não antes.
O que eu faço, por ordem
- Vire o vaso ao contrário e conte os furos antes de comprar; um só, no centro, não chega.
- Alargue ou faça furos extra com cuidado, com o vaso apoiado numa bancada.
- Encha com terra misturada com perlita, sem apertar com os dedos.
- Regue e esvazie o prato vinte minutos depois, em qualquer estação do ano.
- Levante o vaso antes de regar e compare com o peso do mesmo vaso acabado de regar.
- Se aparecer verde na superfície da terra, largue a rega e areje em vez de regar mais.
- Lave os vasos vazios duas vezes por ano e deixe-os secar de boca para baixo.
- No inverno, não empilhe vasos frios com força; o plástico lasca nas bordas.